Identificação na traseira dos carros não quer dizer mais nada

Mas, de uns tempos para cá, tudo mudou. A onda de downsizing, que resultou em adoção de motores cada vez menores, colocou as montadoras diante de um dilema: como vender um carro novo e mais caro equipado com propulsor menor que os modelos antigos (e mais baratos)?


Quem iria estampar um “1.0” na traseira de um modelo como o Golf, por exemplo?


Tente explicar as mudanças para o seu avô


Trocando em miúdos: um motor 1.0 turbo de três cilindros atual é mais potente que um 1.8 aspirado de quatro cilindros do passado. Mas tente explicar isso para o seu avô. Ele nunca mais vai deixar você entrar no Monza dele.


Por causa disso (da tendência de downsizing, não dos avôs), algumas marcas optaram por eliminar qualquer referência à cilindrada. Foi o caso, por exemplo, da Volkswagen. A marca alemã passou a adotar o torque do motor, em Newton-metro. Foi daí que vieram identificações como “200 TSI”, que a Volkswagen usa no Polo 1.0 turbo.


Não é muito fácil no início, mas depois a gente se acostuma. Não aprendemos que Santana 2000 era a identificação do Santana 2.0?


Então, na Volks, ficou assim: 200 TSI, motor 1.0 turbo; 250 TSI, 1.4 turbo; 350 TSI, 2.0, também turbo. O número não é aleatório. Revela o valor do torque, em Newton-metro.





E por que isso? Porque, com turbo, motores diminuíram de cilindrada e ganharam torque e potência. É isso que importa, na prática.


Claro até aqui? Pois lamento informar que agora a coisa complica.


Quando a lógica não tem lógica


A Audi adotou uma classificação sem a lógica da Volkswagen. Em resumo, você bate o olho nos novos Volkswagen e sabe o torque do motor.


Aí, bate o olho na traseira do Audi e continua com cara de interrogação. A marca fez uma classificação que leva em conta a potência, mas com números que não têm uma relação direta com ela. Exemplo: os modelos com potência entre 81 e 96 kW (110 cv e 130 cv) levam o número 30 ao lado do nome do veículo. O 35 refere-se aos carros com potência entre 150 cv e 160 cv. E assim por diante, até o número 70, para carros com mais de 530 cv. E o que 70 tem a ver com 530? Nada.


A BMW também não quis ficar de fora da nova ordem (ou desordem?). Tanto que o novo Série 3 identificado pela sigla 330i não se refere mais ao modelo com motorzão 3.0 de seis cilindros, como antes, mas sim ao sedã equipado com motor 2.0 turbo de quatro cilindros…

  • Fonte: Jornal do Carro /
  • Autor: Redacao /
  • Data: 13 dezembro 2018
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