Ford Ka Sedan e VW Voyage fazem duelo automático

Mesmo sendo mais barato, o Voyage não conseguiu superar o Ka. O Ford oferece melhores desempenho e espaço interno, além de ampla lista de itens de série, que compensam a tabela mais alta. Completo, o VW tem preço sugerido de R$ 68.075, e o Ford, de R$ 72.390.





O Ka de topo traz itens importantes, como controle eletrônico de estabilidade (ESP), air bags laterais e do tipo cortina. Há ainda câmera na traseira, partida do motor por meio de botão e chave presencial. Esse dispositivo seria ainda melhor se permitisse destrancar as portas de forma automática – é preciso pressionar um botão na chave para liberar as travas.


Os dois modelos têm sistemas multimídia com tela sensível ao toque e suporte a Android Auto e Apple CarPlay. Os equipamentos são fáceis de usar – o do Voyage surpreende pela rapidez das respostas.
O principal senão do VW é o espaço interno, ligeiramente menor do que no Ka. A área atrás é reduzida, sobretudo para as pernas, e um quinto ocupante irá evidenciar a menor largura da carroceria.



 

No Voyage, a posição de dirigir também é pior – o banco é baixo e tem regulagens que pouco ajudam. O sistema ajusta apenas o ângulo do assento, um tipo de solução remanescente dos VW mais antigos.


A favor há regulagem de altura e profundidade do volante, o que torna menos difícil a tarefa de achar a posição mais agradável. No Ka, além de o assento ser mais alto o carro parece “vestir” melhor o motorista.


Nos dois carros, o ponto fraco é o acabamento. Ford e VW têm materiais muito simples, principalmente considerando que seus preços giram em torno dos R$ 70 mil. A cabine do Ka é ligeiramente mais agradável pela ergonomia dos comandos, mas, mesmo na configuração mais cara, os revestimentos são iguais aos da versão de entrada.


Ka Sedan se destaca pelo desempenho


O grande trunfo do Ka Titanium está sob o capô. O motor 1.5 gera 136 cv e garante não só respostas rápidas como diversão ao volante. O Ford acelera e retoma velocidade com decisão, a ponto de parecer ser um carro de categoria superior.


Embora tenha torque ligeiramente inferior ao do 1.6 do Voyage, a entrega é mais linear – o Ka é mais ágil em baixas rotações. O câmbio tem trocas suaves e uma tendência a “segurar” marchas por tempo demais, mas há como trocá-las de forma manual pressionando um botão na alavanca. Essa solução está longe de ser ergonômica, mas cumpre a função quando necessário. Há ainda o modo “S” (esportivo), que segura as marchas e deixa a aceleração ainda melhor.





O Voyage parece mais “anêmico” em uso urbano. Seu 1.6 tem funcionamento suave e casa bem com o câmbio, mas o conjunto é claramente voltado ao conforto. A transmissão faz trocas rápidas e também é muito suave, como a do Ka.


O comportamento do VW melhora bastante quando o motorista coloca o câmbio no modo esportivo e troca as marchas pelas aletas atrás do volante – só ele tem essa opção. O Voyage ganha agilidade e fica mais animado, principalmente em rotações elevadas, acima dos 3 mil giros. No entanto, a condução se torna mais cansativa e o consumo piora.


Opinião


É caro mesmo?
Por mais simpatia que o primeiro Voyage da história com câmbio propriamente automático desperte (já houve versões com caixa automatizada), não há como não se surpreender com o desempenho do Ka 1.5. Pudera. Os 136 cv o colocam entre os mais potentes da categoria. E com folga. O “Kazinho” deixa para trás muito carro com motorzão e consegue imprimir ritmos fortes na estrada. O melhor é que para isso não é preciso desembolsar o preço cobrado pela versão de topo.


Com uns R$ 60 mil já dá para levar a opção automática mais simples. Embora a opção Titanium seja muito bem recheada, R$ 70 mil me parece demais para um carro com origens pra lá de franciscanas. O mesmo ocorre com o Voyage. Não há versões, mas sim kits de opcionais que nem deixam o VW tão bem equipado, mas o encarecem muito. Fico com a impressão de que é melhor levar uma configuração mais simples ou partir logo para um carro de categoria superior.

  • Fonte: Jornal do Carro /
  • Autor: CRÉDITO: WERTHER SANTANA/ESTADÃO /
  • Data: 06 março 2019
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