Dicas para amenizar o estresse no trânsito

O vilão do trânsito


Nos últimos cinco anos, os índices de congestionamento na cidade de São Paulo não tiveram grandes alterações, de acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Na comparação com 2014, na parte da tarde, até diminuíram – de 141 km, no ano em questão, para 90, em 2018 (nos horários de pico).


Na parte da manhã, foram de 96 km em 2014 para 98 km em 2018. Nesse período de cinco anos, a melhor média foi a da manhã em 2017: 66 km.


Para especialistas, no entanto, o estresse no trânsito aumentou. Um dos principais fatores é o aumento do uso do telefone celular. “No trânsito, há uma pressão gerada pelo tempo que o motorista precisa para chegar do ponto A ao ponto B”, diz Manzini. “E o smartphone está ali para te cobrar o tempo todo”.


Com a proliferação dos smartphones, aumentaram as formas de comunicação entre as pessoas, principalmente por causa do uso de aplicativos como o WhatsApp. Sabbag aponta também a insegurança gerada pelo uso de equipamentos eletrônicos no trânsito como um fator que incentiva o aumento do estresse.


De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), usar o telefone celular o volante é infração gravíssima. A multa é de R$ 282,47 e o motorista soma sete pontos à sua CNH.


Outros fatores


Para Sabbag, outro fator muito importante para aumentar o estresse no trânsito é a falta de harmonia entre os motoristas. “O trânsito mal educado torna as pessoas mais expostas ao estresse. Elas ficam tensas e agressivas”, diz.


Ele aponta ainda o fato de não haver um padrão de dirigibilidade entre os motoristas. Há os muito lentos e os que andam “costurando” entre os carros, para citar dois exemplos de atitudes que atrapalham no trânsito.


“Presencio, todos os dias, o tempo todo, motoristas fechando uns aos outros e querendo procurar brigas”, diz Gerson Goulart, de 39 anos, que é taxista em Porto Alegre há 12.


“Grande parte dos motoristas não domina o equipamento, e isso atrapalha bastante”, complementa Manzini.


Motociclistas


Sabbag e Manzini apontam motociclistas, e a “guerra” desse grupo com os motoristas de carros, como um agravante do estresse provocado no trânsito. “O motociclista é o típico exemplo de ‘motorista’ estressado”, diz o especialista da Abramet.


“Ele xinga e briga o tempo todo. Creio que é por saber que, em caso de acidente, sofrerá grande dano”, opina. “Os motociclistas, também com o incessante acionamento da buzina, criam a impressão de que estão agredindo.”


Para Manzini, a legislação brasileira, que permite ao motociclista rodar no “corredor”, além de criar um risco para o piloto da moto, gera estresse. “O motorista dos carros nunca sabe se o motociclista vem pela direita ou esquerda.”


Efeitos


Alberto Sabbag diz que o trânsito gera sobrecarga no sistema cardiovascular, gerando aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca. Há ainda os fatores comportamentais, que afetam o psicológico de motorista.


“Tudo isso contribui para reduzir o tempo de reação de um motorista no trânsito”, diz. “É fácil notar diferenças entre a capacidade de dirigir pela manhã e no fim do dia, quando o condutor está mais estressado.” Para o especialista, o fim do dia é mais propenso a ocorrência de acidentes.


“No pós-trânsito, as pessoas sempre sentem uma sensação de cansaço. Isso é estresse.”


O taxista Gerson Goulart afirma que pensa em desistir de sua profissão. “Já vi muitos amigos, colegas de profissão, sofrerem enfarte, até morrerem. O trânsito acaba com a saúde da gente.”


Dicas para amenizar o estresse


Se, diferentemente do publicitário Douglas Picchetti, abandonar o carro não é viável para você, há algumas dicas que podem melhorar seu dia a dia no trânsito. Dar passagem a quem está sinalizando a intenção de mudar de faixa é a principal dica dos especialistas.


Isso evita competição, início de brigas e, principalmente, acidentes. Para quem quer mudar de faixa, é importante jamais esquecer de acionar a seta.


De acordo com o Detran-SP, usar recursos do carro como farol alto e buzina sem necessidade também ajudam a evitar o estresse. O barulho da buzina assusta os demais motoristas. E o farol alto gratuito pode ser visto como sinal de provocação – além de prejudicar a visibilidade de quem trafega à frente.


“Se possível, não abra mão de alguns equipamentos que vão tornar seu dia a dia no trânsito mais suportável”, diz Manzini. Entre essas tecnologias, ele considera indispensáveis o câmbio automático e o ar-condicionado. Cita também o controlador de velocidade.


Se esse sistema for adaptativo (algo típico de carros mais caros, acima de R$ 100 mil), melhor ainda. A tecnologia vai fazer o trabalho de frear e acelerar automaticamente para o motorista, que poderá relaxar um pouco. “Escolha uma boa trilha sonora, que não te irrite”, diz Manzini.


“A escolha de uma posição ergonômica é muito importante”, afirma o instrutor de pilotagem. “Ela vai permitir que você fique confortável ao volante e enxergue bem à frente.”


Confira trajetos em aplicativos que informam sobre as condições do trânsito, como Waze, antes de sair de casa. Assim, você não será pego de surpresa por um congestionamento inesperado no meio do caminho.

  • Fonte: Jornal do Carro /
  • Autor: Rafaela Borges /
  • Data: 10 maio 2019
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